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Cuiabá,20/04/2026

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O LEGADO ESTRATÉGICO: O MAIOR PACOTE DE INVESTIMENTOS DE MATO GROSSO E SEUS DILEMAS POLÍTICOS.

Uma Análise de Gestão Pública Sobre Estratégia, Continuidade e Responsabilidade Fiscal.


O LEGADO ESTRATÉGICO: O MAIOR PACOTE DE INVESTIMENTOS DE MATO GROSSO E SEUS DILEMAS POLÍTICOS.

O LEGADO ESTRATÉGICO: O MAIOR PACOTE DE INVESTIMENTOS DE MATO GROSSO E SEUS DILEMAS POLÍTICOS.

Uma Análise de Gestão Pública Sobre Estratégia, Continuidade e Responsabilidade Fiscal.

Nos últimos meses de seu mandato, o ex-governador Mauro Mendes fez algo que não tinha feito em praticamente todo seu governo: visitou praticamente todos os cantos de Mato Grosso anunciando investimentos. Entre março e o final do mês, antes de renunciar em 31 de março de 2026 para concorrer ao Senado, o gestor percorreu o estado de ponta a ponta, visitando cidades e anunciando investimentos em volumes que ultrapassam R$ 2,77 bilhões apenas com valores que conseguimos levantar e verificar em reportagens. Seu sucessor, Otaviano Pivetta, que assumiu o governo em 1º de abril, também começou a anunciar seus próprios investimentos, adicionando mais R$ 368 milhões ao total. Juntos, os dois governadores criaram um cenário de compromissos que ultrapassa R$ 3,1 bilhões em novos investimentos anunciados.Mas aqui está o ponto que me fez parar e pensar: Mauro Mendes anunciou que visitou os 142 municípios de Mato Grosso. Neste levantamento que fiz, consegui consolidar dados verificáveis de apenas 30 cidades principais. Isso significa que os 112 municípios restantes também receberam anúncios de investimentos e compromissos do ex-governador. Se apenas 15 cidades geraram R$ 2,77 bilhões em promessas, qual seria o valor total de compromissos quando consideramos TODOS os 142 municípios? Os números começam a ficar verdadeiramente gigantescos. Estamos potencialmente falando de um pacote que pode ultrapassar R$ 5, R$ 6 bilhões ou até mais, dependendo da média de investimentos por município. Este artigo apresenta os dados que consegui levantar e verificar, mas convida você a imaginar a magnitude real dos compromissos assumidos. Como profissional que trabalha com gestão pública há anos, tanto na formação quanto na pós-graduação, decidi analisar comigo mesmo os desdobramentos dessa estratégia e o que ela realmente significa para o futuro do estado. Não é apenas política tradicional. Envolve questões fundamentais sobre planejamento orçamentário, responsabilidade fiscal, continuidade administrativa e, principalmente, a capacidade real de executar obras públicas em um cenário econômico que não está nada fácil.

O BLITZ DE MAURO MENDES: NÚMEROS REAIS E ESTRATÉGIA POLÍTICA.

Para entender de verdade o que foi feito, é preciso olhar para os números com atenção. Em apenas duas semanas, Mauro Mendes anunciou investimentos em pelo menos 30 cidades principais de Mato Grosso. Na região Centro-Sul, Cuiabá recebeu o maior pacote: R$ 663,3 milhões em obras de infraestrutura, educação e habitação. Rondonópolis foi contemplada com R$ 386 milhões, incluindo a construção do Trevão na BR-163 que o povo vinha pedindo há anos. Sinop recebeu R$ 400 milhões em novos investimentos. Várzea Grande foi beneficiada com R$ 266 milhões, enquanto Chapada dos Guimarães viu o anúncio de R$ 250 milhões para duplicação de rodovias e fomento ao turismo. Na região oeste, Pontes e Lacerda recebeu um pacote de R$ 249,9 milhões, com destaque para o Hospital Estadual do Sudoeste Mato-grossense, que vai consumir R$ 160 milhões do investimento total. Tangará da Serra foi contemplada com R$ 171 milhões. Na região norte, Rondolândia recebeu R$ 92,7 milhões, enquanto Peixoto de Azevedo e Guarantã do Norte foram beneficiadas com R$ 45 milhões cada. A região nordeste também não ficou de fora. Juara foi contemplada com R$ 145 milhões em obras e equipamentos. Paranaíta recebeu R$ 22,2 milhões. Jauru foi beneficiada com R$ 20 milhões. Itiquira completou o pacote com R$ 18 milhões. Além dessas cidades com valores confirmados, Mauro visitou a região oeste em agenda que incluiu Araputanga, Indiavaí e Figueirópolis D'Oeste, onde anunciou investimentos, embora os valores específicos não tenham sido divulgados em reportagens que consegui acessar. Vila Bela da Santíssima Trindade recebeu autorização para pavimentação da MT-199 (30 quilômetros), Mirassol D'Oeste viu a entrega da MT-250, e 4 Marcos, Cáceres, Glória e São Domingos também foram mencionadas como beneficiárias de investimentos.O volume de recursos prometidos em um intervalo tão curto é impressionante. Apenas nas 15 cidades com valores confirmados, o total ultrapassa R$ 2,77 bilhões. Considerando as cidades mencionadas sem valores específicos divulgados, o montante real pode ser superior a R$ 2,95 bilhões. E é exatamente aqui que a coisa fica interessante do ponto de vista de gestão pública.

A INTELIGÊNCIA DA ESTRATÉGIA: DEIXANDO UM LEGADO E TRANSFERINDO RESPONSABILIDADES.

Ao lançar esse pacote bilionário às vésperas de sua saída, Mauro Mendes demonstrou uma astúcia política que não é fácil de ignorar. Ele construiu para si a imagem de um realizador incansável, o governador que "chegou a todos os 142 municípios", consolidando um legado de entregas que dificilmente será esquecido pelo eleitorado. A concentração dos anúncios em um curto período, criou um efeito de "blitz" que dominou a mídia e criou a percepção de um governo em plena atividade até o último dia. Mas aqui está a questão que não sai da minha cabeça: na administração pública, o ato de anunciar uma obra é apenas o primeiro passo de um longo e complexo processo que envolve licitações, empenhos, medições e pagamentos. Ao firmar esses compromissos em escala tão massiva, o ex-governador transferiu para seu sucessor a responsabilidade de executar e pagar por esse volume colossal de obras. Otaviano Pivetta herdou não apenas a cadeira, mas uma herança de compromissos que pode ultrapassar bilhões de reais, dependendo de como os investimentos forem consolidados nos próximos meses. A inteligência dessa manobra reside na encruzilhada em que o atual governador foi colocado. Se Pivetta conseguir manter o ritmo, executar as obras e honrar os compromissos financeiros firmados, a narrativa natural será a de um "governo de continuidade". Os méritos e os parabéns recairão, em grande parte, sobre Mauro Mendes, o idealizador do pacote. Por outro lado, se o novo gestor não conseguir entregar o que foi prometido, a culpa não será de quem prometeu, mas de quem não teve a "capacidade de gestão" para executar. A narrativa de que Pivetta seria um gestor "fraco" ganharia força rapidamente.É um jogo político bem jogado, eu admito.

A RESPOSTA DE PIVETTA: CONTINUIDADE COM REPOSICIONAMENTO.

Interessante notar que Otaviano Pivetta, antes mesmo de assumir como governador, já havia anunciado R$ 214,8 milhões em investimentos para sua cidade natal, Lucas do Rio Verde, quando ainda era vice-governador. Esse anúncio, feito em 23 de março, incluía o Parque Oeste, pavimentação de rodovias, construção de creches, novo prédio para o Ciretran e benefícios para mais de 3.300 famílias pelo programa SER Família Habitação. Após assumir o governo em 1º de abril, Pivetta rapidamente demonstrou que também entende a importância de manter visibilidade através de investimentos. Em 9 de abril, anunciou R$ 105 milhões em melhorias na infraestrutura aeroportuária de 22 municípios, incluindo pavimentação de pistas, construção de terminais, sistemas de iluminação e cercamento de aeródromos. Cáceres recebeu atenção especial, com reforma completa de pista, novo terminal com climatização e equipamentos de auxílio à navegação.Em 18 de abril, Pivetta anunciou R$ 48 milhões para recuperação das rodovias MT-451 e MT-370 em Poconé, região do Pantanal. Além disso, reafirmou compromissos em continuar investimentos na construção e retomada de creches, bem como na revitalização de quadras e campos de futebol em diversos municípios. A estratégia de Pivetta é diferente da de Mauro. Enquanto o ex-governador concentrou seus anúncios em um curto período, criando um efeito de legado impressionante, Pivetta optou por uma estratégia de "gotejamento", anunciando investimentos de forma mais espaçada. Isso cria a percepção de que não é apenas um executor de promessas alheias, mas um gestor com sua própria agenda e capacidade de decisão.

O DILEMA ORÇAMENTÁRIO: QUANDO A REALIDADE ENCONTRA A PROMESSA.

Aqui reside o grande desafio. Apenas duas semanas após assumir o cargo, o governador Otaviano Pivetta anunciou a necessidade de um ajuste fiscal e a contenção de despesas no governo. Em entrevistas recentes, ele determinou uma revisão ampla dos gastos públicos, citando um cenário econômico instável, com juros elevados, endividamento federal e aumento nos custos de insumos. O congelamento do Fethab 2 neste ano e sua extinção prevista para 2027 adicionam uma pressão extra sobre a arrecadação estadual, gerando inclusive alertas do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) sobre os impactos dessa perda de receita.Quando o atual governador fala em "pisar no freio" e orienta suas secretarias a cortar ações não essenciais, ele está agindo com a prudência que a responsabilidade fiscal exige. Mas aqui está o problema: na política, a prudência muitas vezes colide com a expectativa popular gerada por promessas recentes. Como conciliar um ajuste fiscal rigoroso com a execução de um pacote de obras de mais de R$ 3,1 bilhões recém-anunciado? Essa é a reflexão central que precisamos fazer. Até que ponto o maior pacote de obras da história de Mato Grosso é uma realidade orçamentária viável e até que ponto é uma peça de campanha eleitoral antecipada? Na gestão pública, o orçamento é uma peça de ficção até que a receita se concretize. Comprometer receitas futuras em volumes tão expressivos nos últimos dias de um mandato é uma prática que, embora legal, testa os limites do planejamento de longo prazo do Estado.

A DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA: UMA ESTRATÉGIA DE COBERTURA TOTAL.

Um aspecto que me chamou atenção foi a cobertura geográfica total. Mauro Mendes não concentrou investimentos em grandes centros. Embora Cuiabá tenha recebido o maior pacote (R$ 663,3 milhões), cidades menores também foram contempladas. Juara, com população menor, recebeu R$ 145 milhões. Jauru recebeu R$ 20 milhões. Paranaíta recebeu R$ 22,2 milhões. Essa distribuição demonstra uma compreensão clara de que a política eleitoral se faz em todas as regiões, não apenas nos grandes centros.A região oeste, historicamente menos atendida, recebeu atenção especial. Além de Pontes e Lacerda (R$ 249,9 milhões), o ex-governador visitou Araputanga, Indiavaí, Figueirópolis D'Oeste, Vila Bela da Santíssima Trindade, Mirassol D'Oeste e 4 Marcos. Embora nem todos os valores tenham sido divulgados em reportagens que consegui acessar, a presença do governador nessas cidades enviou uma mensagem clara: nenhum município foi esquecido. E aqui está o detalhe que merece atenção especial: Se apenas a região oeste, com seus 8 municípios visitados, gerou compromissos na ordem de R$ 300+ milhões (considerando Pontes e Lacerda), e se Mauro visitou os 142 municípios do estado, podemos começar a dimensionar o tamanho real dessa mobilização. Cada município recebeu algum tipo de anúncio, convênio ou compromisso. Mesmo que a média de investimento por município seja conservadora, os números começam a alcançar patamares extraordinários. Estamos falando de uma mobilização de recursos públicos que pode representar uma transformação sem precedentes na infraestrutura estadual—ou um desafio orçamentário de proporções igualmente gigantescas.

O CENÁRIO QUE SE DESENHA: DESAFIOS PARA A EXECUÇÃO.

O cenário que se desenha para os próximos meses é complexo. Pivetta terá que equilibrar a execução de compromissos bilionários com a necessidade de ajuste fiscal. Isso significa que algumas obras podem sofrer atrasos, outras podem ser redimensionadas, e algumas podem não sair do papel. A população mato-grossense, cada vez mais madura politicamente, observará atentamente como o novo governador lida com essa encruzilhada. Se conseguir executar os investimentos sem comprometer a saúde fiscal do estado, será visto como um gestor competente. Se não conseguir, a narrativa de que Pivetta é "fraco" ganhará força, especialmente se comparado com a imagem de "realizador" que Mauro construiu. Além disso, há a questão técnica da viabilidade. Muitos dos investimentos anunciados ainda não foram licitados. Isso significa que os custos podem variar significativamente quando as obras forem realmente contratadas. Inflação, aumento de custos de insumos e mudanças nas condições econômicas podem impactar o valor final dos investimentos.

PROMESSAS VERSUS REALIDADE: A QUESTÃO QUE NÃO SAI DA CABEÇA.

Até que ponto esses investimentos representam compromissos reais e até que ponto são promessas de campanha? A resposta não é simples. Alguns investimentos, como o Hospital de Pontes e Lacerda, parecem ser compromissos genuínos, com projetos já em fase final de elaboração( segundo a mídia local). Outros, como pavimentações de rodovias e construção de creches, fazem parte de programas contínuos do governo. No entanto, a concentração de anúncios nos últimos dias do mandato de Mauro levanta questões legítimas sobre a motivação política. Se esses investimentos eram tão importantes, por que foram anunciados apenas nas últimas semanas? Por que não foram distribuídos ao longo do mandato? A resposta, do ponto de vista político, é óbvia: criar um legado impressionante e colocar o sucessor em uma posição difícil. Do ponto de vista técnico de gestão pública, isso representa um risco significativo. Compromissos feitos sem planejamento adequado podem resultar em obras inacabadas, desperdício de recursos e frustração popular.

REFLEXÃO FINAL: ALÉM DA POLÍTICA.

Na gestão pública, tão importante quanto a capacidade de lançar obras é a responsabilidade de garantir que o estado tenha fôlego financeiro para concluí-las sem comprometer serviços essenciais. O total de R$ 3,1 bilhões em investimentos anunciados representa uma aposta significativa no futuro de Mato Grosso. Se executados com eficiência, esses investimentos podem transformar a infraestrutura do estado, melhorando a qualidade de vida de milhões de mato-grossenses. No entanto, se não forem, podem deixar um legado de obras inacabadas, promessas não cumpridas e recursos desperdiçados. E é exatamente essa capacidade de execução que definirá quem realmente merece a confiança da população nas próximas eleições. A habilidade de Mauro Mendes em criar esse cenário é inegável. Ele saiu de cena deixando sua marca em cada canto do estado e transferiu o ônus da execução para seu sucessor. Pivetta, por sua vez, demonstrou compreender o jogo político ao também anunciar investimentos significativos, criando a percepção de que não é apenas um executor de promessas alheias, mas um gestor com sua própria agenda. O tempo e os canteiros de obras dirão quem foi o verdadeiro estrategista dessa história. Mas uma coisa é certa: a população mato-grossense está observando atentamente. Ela sabe que promessas são fáceis de fazer, mas obras são difíceis de executar. E é exatamente essa capacidade de execução, essa responsabilidade fiscal e essa continuidade administrativa que definirá o próximo capítulo da história política de Mato Grosso.

OS NÚMEROS QUE CONSEGUI LEVANTAR.

Investimentos de Mauro Mendes (15 cidades com valores confirmados):- Cuiabá: R$ 663,3 milhões- Sinop: R$ 400 milhões- Rondonópolis: R$ 386 milhões- Várzea Grande: R$ 266 milhões- Chapada dos Guimarães: R$ 250 milhões- Pontes e Lacerda: R$ 249,9 milhões- Tangará da Serra: R$ 171 milhões- Juara: R$ 145 milhões- Rondolândia: R$ 92,7 milhões- Peixoto de Azevedo: R$ 45 milhões- Guarantã do Norte: R$ 45 milhões- Paranaíta: R$ 22,2 milhões- Jauru: R$ 20 milhões- Itiquira: R$ 18 milhões- Poxoréu: R$ 1,1 milhão- Subtotal: R$ 2.775,2 milhões. Investimentos de Otaviano Pivetta (como governador):- Aeroportos (22 municípios): R$ 105 milhões- Poconé: R$ 48 milhões- Lucas do Rio Verde (como vice, antes de assumir): R$ 214,8 milhões- Subtotal: R$ 367,8 milhões. TOTAL CONSOLIDADO VERIFICÁVEL: R$ 3.143 milhões (aproximadamente R$ 3,14 bilhões).

NOTA IMPORTANTE SOBRE ESTES NÚMEROS.

Este total de R$ 3,14 bilhões é conservador e baseado APENAS em valores que consegui verificar através de reportagens acessadas. Este levantamento consolidou dados de 30 cidades principais de Mato Grosso. Cidades mencionadas sem valores específicos divulgados não foram quantificadas. Considerando que Mauro Mendes visitou os 142 municípios de Mato Grosso e anunciou investimentos em praticamente todos eles, o valor real de compromissos e investimentos anunciados pode ser significativamente superior. Se apenas 15 cidades geraram R$ 2,77 bilhões, a média por município nesses casos é de aproximadamente R$ 185 milhões. Aplicando essa média aos 127 municípios restantes (142 menos os 15 já contabilizados), chegaríamos a um valor potencial de R$ 23,5 bilhões adicionais. Embora essa seja uma extrapolação matemática e não uma confirmação de dados reais, ela ilustra a magnitude potencial dos compromissos assumidos. O eleitor mato-grossense deve estar ciente de que os números apresentados neste artigo representam apenas a ponta do iceberg de uma mobilização política e orçamentária de proporções verdadeiramente gigantescas.

Autor:

Antonio Rosa Rodrigues

Graduado e Pós Graduado em Gestão Publica 




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