Se Wellington Mandava no DNIT, Por Que Isso Seria uma Crítica?
"Se o senador realmente tinha o peso político que seus adversários atribuem a ele, a pergunta muda de direção: Mato Grosso perdeu ou ganhou com isso?"
ARTIGO:
Se Wellington Mandava no DNIT, Então Estão Elogiando ou Criticando?
Nos últimos meses, uma frase passou a ser repetida por integrantes do grupo governista em Mato Grosso. O governador Mauro Mendes e o vice-governador Otaviano Pivetta afirmaram, em diferentes momentos, que o senador Wellington Fagundes teria exercido enorme influência dentro do DNIT ao longo dos anos.
A intenção da crítica é clara: atribuir ao senador parte da responsabilidade pelos problemas históricos das rodovias federais que cortam Mato Grosso.
Mas será que essa narrativa produz apenas críticas? Ou será que, sem perceber, ela acaba construindo um elogio político?
Vale refletir.
Mato Grosso é um estado que depende de estradas como poucos no Brasil. Somos líderes na produção de grãos, carne e algodão. Nossa economia gira sobre rodas. A soja que sai de Sorriso, o milho produzido em Lucas do Rio Verde, a carne exportada do interior do estado e os insumos que chegam aos produtores passam, em grande parte, pelas rodovias federais.
Nesse contexto, o DNIT não é um órgão qualquer. Trata-se de uma das estruturas mais estratégicas para o desenvolvimento econômico de Mato Grosso.
Por isso surge uma pergunta simples.
Se Wellington Fagundes realmente possuía tamanha influência dentro do DNIT, isso deveria ser visto como algo negativo para Mato Grosso?
Imagine o cenário oposto.
Imagine que o político mais influente junto ao DNIT fosse um senador do Maranhão, de Pernambuco, do Paraná ou de qualquer outro estado da federação.
Quem teria prioridade nas reuniões?
Quem teria mais facilidade para defender obras?
Quem teria mais capacidade de pressionar pela liberação de recursos?
Quem teria acesso direto aos tomadores de decisão?
A resposta parece óbvia.
Em Brasília, influência não é um defeito. É uma ferramenta de representação.
Aliás, essa é justamente a razão pela qual os estados elegem deputados federais e senadores. Não para operar máquinas, não para assinar ordens de serviço e nem para dirigir órgãos públicos. Eles são eleitos para abrir portas, construir relações, disputar espaço político e defender os interesses de sua população.
A política federal funciona assim.
Os estados mais fortes são justamente aqueles que possuem representantes capazes de ocupar espaços estratégicos e influenciar decisões.
Por isso existe um paradoxo curioso na narrativa construída contra Wellington Fagundes.
Quando seus adversários afirmam que ele “mandava no DNIT”, tentam criar a imagem de alguém que deve ser responsabilizado pelos problemas.
Mas a mesma frase permite uma interpretação completamente diferente.
Se Wellington tinha tanto peso político a ponto de ser tratado como uma das principais referências do DNIT para Mato Grosso, isso significa que o estado possuía um representante com acesso aos centros de decisão da República.
E isso, convenhamos, não parece exatamente uma crítica.
Parece um reconhecimento de influência.
Mais do que isso.
Se a influência era tão grande quanto dizem, então surge outra questão inevitável.
Quantas obras federais realizadas em Mato Grosso durante os últimos anos também tiveram participação dessa articulação política?
A duplicação de trechos estratégicos.
Os investimentos em manutenção.
As recuperações de pavimento.
As federalizações de rodovias.
As obras de infraestrutura logística.
Tudo isso aconteceu sem articulação política?
Ou aconteceu justamente porque havia representantes pressionando Brasília em favor de Mato Grosso?
O debate se torna ainda mais interessante quando observamos quem faz a crítica.
Durante boa parte do período em que Wellington supostamente exercia essa influência, Mauro Mendes governou Mato Grosso e Otaviano Pivetta ocupou a vice-governadoria.
Se havia recursos federais chegando ao estado, se havia obras sendo executadas e se havia investimentos em andamento, quem colhia os benefícios administrativos dessas entregas?
O próprio governo estadual.
Portanto, a discussão talvez esteja sendo feita da maneira errada.
A pergunta não deveria ser apenas se Wellington tinha ou não influência.
A pergunta correta é: essa influência ajudou ou prejudicou Mato Grosso?
Porque, se ajudou, então o argumento utilizado para atacá-lo transforma-se em reconhecimento de capacidade política.
E se não ajudou, seus adversários terão de explicar por que durante tantos anos aceitaram os benefícios, as obras e os investimentos decorrentes dessa mesma estrutura que agora criticam.
No fim das contas, o eleitor mato-grossense terá de decidir o que considera mais importante.
Um representante sem influência em Brasília ou um representante capaz de sentar à mesa onde as decisões são tomadas.
Porque, na política nacional, influência pode gerar desconforto aos adversários.
Mas quase sempre gera resultados para quem é representado.
AUTOR:
ANTONIO ROSA
RODRIGUES
Ex. Vereador| Ex. Secretario Municipal de Saúde|Gestor
Público | Corretor de Imóveis | Corretor Público\ Perito Avaliador de Imoveis
Judicial e Extrajudicial \ Especialista em Gestão de Crises e Ouvidoria |
Mediador, Conciliador e Arbitro de Conflitos - Judicial e Extrajudicial,
Técnico em Meio Ambiente e Técnico em Segurança do Trabalho.




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