A Riqueza Saiu de Mato Grosso. Mas Quem Lutou Para Ela Voltar?
Enquanto a riqueza produzida pelos mato-grossenses cruzava fronteiras, uma batalha silenciosa acontecia nos corredores de Brasília para garantir que parte dela retornasse para casa.
ARTIGO:
O Dinheiro
que Voltou para Mato Grosso: A Pergunta que Ninguém Quer Fazer
Em tempos de eleição, os discursos costumam ser parecidos.
Promessas de hospitais.
Promessas de estradas.
Promessas de escolas.
Promessas de desenvolvimento.
Mas existe uma pergunta que raramente é feita.
Quem trouxe dinheiro novo para Mato Grosso?
Não quem administrou.
Não quem inaugurou.
Não quem apareceu na fotografia.
Quem ajudou a colocar dinheiro nos cofres do Estado?
A diferença parece pequena.
Mas não é.
Imagine uma família.
Uma pessoa administra o orçamento da casa.
Outra paga as contas.
Outra faz as compras.
Mas quem foi buscar o dinheiro?
Quem gerou a receita?
Quem garantiu os recursos?
Na política, essa pergunta também importa.
Durante décadas, Mato Grosso ajudou a alimentar a economia brasileira.
A soja produzida em Sorriso.
O algodão colhido em Campo Verde.
O milho transportado pelas rodovias.
A carne exportada para dezenas de países.
Toda essa riqueza saiu de Mato Grosso para o mundo.
Mas uma pergunta permanecia sem resposta:
Quanto dessa riqueza retornava para os mato-grossenses?
Em 1996, a Lei Kandir retirou o ICMS das exportações para tornar o
Brasil mais competitivo.
O agronegócio cresceu.
As exportações dispararam.
Mato Grosso tornou-se uma potência econômica.
Mas junto com o crescimento surgiu uma dúvida legítima.
Se o Estado deixava de arrecadar bilhões em impostos para ajudar o
Brasil a exportar, quem compensaria essa perda?
Por muitos anos, essa resposta foi incompleta.
Os recursos chegavam de forma irregular.
Governadores reclamavam.
Prefeitos reclamavam.
Os municípios aguardavam.
Os estados exportadores pressionavam Brasília.
E Mato Grosso continuava produzindo.
Até que a discussão deixou de ser apenas uma reivindicação política e
passou a ser uma questão legislativa.
Foi nesse momento que surgiu uma das pautas mais importantes da carreira
pública de Wellington Fagundes.
Poucos eleitores sabem disso.
Poucos comentam isso.
Poucos discutem isso.
Mas o projeto que deu origem à regulamentação definitiva das
compensações da Lei Kandir teve autoria de Wellington Fagundes no Senado
Federal.
O resultado?
Cerca de R$ 6,5 bilhões destinados a Mato Grosso ao longo dos anos.
Pare por um instante.
Respire.
E pense.
Quantos políticos mato-grossenses podem apontar para uma legislação
nacional e demonstrar um impacto financeiro bilionário para o Estado?
Essa é uma pergunta que merece reflexão.
Mas existe outra pergunta.
Talvez ainda mais desconfortável.
Quem se beneficiou desses recursos ao longo dos anos?
A resposta é simples.
Praticamente todos os grandes gestores públicos de Mato Grosso.
Inclusive aqueles que hoje ocupam o centro da disputa política estadual.
Mauro Mendes foi prefeito de Cuiabá.
Na condição de prefeito, viu a capital receber recursos oriundos dos
mecanismos de compensação ligados às exportações.
Anos depois, tornou-se governador de Mato Grosso.
Mais uma vez, os recursos continuaram chegando.
Agora em escala estadual.
Otaviano Pivetta foi prefeito de Lucas do Rio Verde.
Uma das cidades que simbolizam a força do agronegócio brasileiro.
Também participou, como gestor municipal, dos efeitos econômicos
produzidos pelas compensações aos estados exportadores.
Posteriormente, tornou-se vice-governador.
E passou a integrar a administração responsável por gerir parte dos
recursos destinados ao Estado.
Até aqui não existe polêmica.
Prefeitos recebem recursos.
Governadores recebem recursos.
Vice-governadores ajudam a administrar recursos.
Essa é exatamente a função do Poder Executivo.
Mas a pergunta que permanece é outra.
Quem ajudou a construir o caminho para que esses recursos existissem?
Quem participou da construção da solução legislativa?
Quem transformou uma reivindicação histórica em obrigação legal da
União?
Quando observamos a questão sob essa perspectiva, surge um contraste
interessante.
Alguns políticos tiveram a oportunidade de administrar os recursos.
Outros tiveram a missão de lutar para que eles chegassem.
E talvez o eleitor deva refletir sobre as duas funções.
Porque administrar é importante.
Mas garantir a existência dos recursos também é.
Uma estrada precisa ser construída.
Um hospital precisa funcionar.
Uma escola precisa receber investimentos.
Mas antes de tudo isso existe uma pergunta fundamental.
De onde veio o dinheiro?
Quem tornou possível que ele chegasse até aqui?
E aqui surge uma reflexão que talvez incomode alguns setores da
política.
É curioso observar que aqueles que hoje criticam Wellington Fagundes
passaram anos administrando recursos cuja origem remonta justamente à luta pela
compensação das perdas da Lei Kandir.
A pergunta não é se Mauro Mendes trabalhou.
Trabalhou.
A pergunta não é se Otaviano Pivetta trabalhou.
Trabalhou.
A pergunta é outra.
Se esses recursos foram importantes para os municípios.
Se esses recursos foram importantes para o Estado.
Se esses recursos ajudaram a financiar políticas públicas.
Então por que quase ninguém fala sobre quem ajudou a garantir sua
existência?
Por que a discussão se concentra apenas em quem executou os recursos?
Por que quase nunca se fala de quem participou da construção da solução?
Será que a política valoriza mais quem corta a fita da inauguração do
que quem ajudou a trazer o dinheiro?
Será que o eleitor conhece a diferença entre administrar um orçamento e
criar as condições para que ele exista?
Talvez esteja aí uma das maiores distorções da política brasileira.
A obra aparece.
A placa aparece.
A fotografia aparece.
Mas a origem dos recursos desaparece.
E quando a origem desaparece, desaparece junto parte da história.
Em uma eleição marcada por acusações, disputas de narrativas e ataques
pessoais, talvez a pergunta mais justa não seja quem fala mais alto.
Talvez seja quem deixou resultados que continuam produzindo efeitos
mesmo depois dos mandatos.
Porque uma obra pode ser inaugurada.
Uma ponte pode ser construída.
Um hospital pode ser entregue.
Mas uma legislação nacional capaz de garantir bilhões para Mato Grosso
continua produzindo efeitos por décadas.
E então surge a pergunta que cada eleitor deveria responder para si
mesmo.
O que tem mais valor?
Administrar recursos já existentes?
Ou ajudar a criar os mecanismos que fazem esses recursos chegarem ao
Estado?
Não cabe a este artigo responder.
Cabe ao cidadão refletir.
Porque eleições não são apenas uma escolha entre nomes.
São uma escolha entre legados.
E talvez a pergunta mais importante de todas seja esta:
Quando Mato Grosso precisou lutar para que parte da riqueza produzida
por seu povo retornasse para casa, quem estava apenas administrando os recursos
e quem estava ajudando a construir os instrumentos que os tornaram possíveis?
A resposta pode dizer muito mais sobre o futuro do Estado do que
qualquer slogan de campanha.
Antonio Rosa Rodrigues
Ex. Vereador
Ex. Secretario Municipal
Graduado e Pós Graduado em Administração Pública




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