A liderança sem confronto: o que a ausência de Wellington revela sobre a corrida ao Governo de Mato Grosso?
Após anos ocupando espaço no centro do poder estadual e agora à frente do Governo, Otaviano Pivetta ainda busca consolidar sua força eleitoral. Mas uma pesquisa sem seu principal adversário levanta mais perguntas do que respostas.
ARTIGO:
A liderança sem confronto: o que a ausência de Wellington revela sobre a corrida ao Governo de Mato Grosso?
A pesquisa mostrou um líder. Mas antes disso mostrou uma ausência.
E talvez essa ausência seja mais importante do que os números divulgados.
Otaviano Pivetta não é um nome novo na política mato-grossense. Foi prefeito, deputado, vice-governador por dois mandatos consecutivos e, durante anos, ocupou uma posição privilegiada dentro da estrutura de poder do Estado. Caminhou ao lado de Mauro Mendes desde 2018, participou das principais decisões políticas do governo e assumiu o comando do Estado em diversas ocasiões durante as ausências do titular. Hoje, é governador de fato e de direito. Além disso, assumiu o governo cercado por uma equipe formada, em grande parte, por nomes já integrados à estrutura governamental construída ao longo dos últimos anos.
Diante desse cenário, uma pergunta surge naturalmente:
Se Pivetta já exercia influência dentro do governo, participou das decisões estratégicas da gestão, teve espaço institucional, visibilidade administrativa e agora ocupa o cargo máximo do Estado, por que ainda não conseguiu liderar as pesquisas de forma consistente?
Levantamentos divulgados nos últimos meses mostram um quadro curioso. Em vários deles, Pivetta aparece atrás de Wellington Fagundes. Em alguns cenários, ocupa a terceira posição. Em outros, disputa tecnicamente o segundo lugar. O fato é que, mesmo estando dentro da máquina pública há anos e agora ocupando o principal cargo do Estado, ainda não conseguiu transformar a estrutura de governo em liderança eleitoral consolidada.
Isso significa que sua candidatura é fraca?
Não necessariamente.
Mas significa que existe uma dificuldade real em converter poder administrativo em preferência popular.
E é justamente nesse contexto que a pesquisa do Veritá provoca questionamentos.
Por que excluir Wellington Fagundes dos cenários divulgados?
O que impede a comparação direta entre aquele que aparece liderando diversas pesquisas e aquele que é apontado como sucessor natural do atual grupo governista?
Se Wellington lidera quando é incluído, o eleitor não teria o direito de ver esse confronto?
Se Pivetta é realmente o nome mais forte para dar continuidade ao atual governo, não seria justamente contra Wellington que ele deveria ser testado?
A ausência de Wellington não fortalece automaticamente a narrativa de quem aparece liderando entre os nomes restantes?
E mais importante: uma liderança construída sem enfrentar o principal adversário representa a realidade política ou apenas uma parte dela?
Outra questão merece reflexão.
Quando pesquisas são divulgadas, elas não apenas medem a opinião pública.
Elas ajudam a formá-la.
Prefeitos observam pesquisas.
Vereadores observam pesquisas.
Deputados observam pesquisas.
Empresários observam pesquisas.
Partidos observam pesquisas.
A pergunta, portanto, não é apenas quem está liderando.
A pergunta é: quem está sendo colocado na disputa apresentada ao eleitor?
Porque uma coisa é vencer uma corrida.
Outra coisa é vencer depois que retiram o principal concorrente da pista.
Talvez tudo tenha uma explicação metodológica legítima.
Talvez exista uma justificativa técnica.
Talvez existam outros cenários que ainda não foram divulgados.
Mas enquanto essas respostas não aparecem, as perguntas permanecem.
Se Pivetta é governador, tem a máquina administrativa, visibilidade diária e o apoio do grupo político que governa Mato Grosso há quase oito anos, por que ainda não conseguiu ultrapassar Wellington nas pesquisas em que ambos aparecem?
E se isso ainda não aconteceu, por que divulgar justamente um cenário em que o principal adversário desaparece?
O eleitor merece refletir sobre isso.
Porque na política, muitas vezes, o que não aparece acaba sendo tão importante quanto aquilo que aparece.
E, às vezes, a notícia mais relevante de uma pesquisa não está nos percentuais.
Está no nome que ficou de fora.
AUTOR:
ANTONIO ROSA RODRIGUES - Ex. Vereador e Articulista Politico




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