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Cuiabá,26/06/2026

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Narrativa ou fato? A tese contra Wellington desafia a lógica da política

Sem provas, parte da mídia sustenta que Tarcísio trabalha para retirar WF da disputa. Mas as lideranças do PL dizem o contrário, as pesquisas apontam outro cenário e a matemática eleitoral levanta uma pergunta inevitável: quem ganha com essa narrativa?


Narrativa ou fato? A tese contra Wellington desafia a lógica da política

É demência, maldade ou apenas um jornalismo sem apuração?

Por Antonio Rosa Rodrigues                                                          Jornalista, Analista e Crítico Politico 

Nos últimos dias, parte da imprensa passou a repercutir uma informação segundo a qual o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, estaria articulando para que o PL de Mato Grosso desistisse da candidatura do senador Wellington Fagundes ao Governo do Estado em favor de Otaviano Pivetta.

A notícia rapidamente ganhou espaço. Mas uma pergunta simples continua sem resposta: onde estão as provas?

Existe algum vídeo? Uma entrevista? Um áudio? Uma declaração pública de Tarcísio confirmando essa suposta articulação? Algum jornalista ouviu o próprio governador ou sua assessoria antes de publicar ou reproduzir essa informação? Ou estamos diante de mais uma narrativa construída sobre especulações?

O que dizem as lideranças do PL

Não é necessário recorrer a interpretações quando existem declarações públicas das principais lideranças nacionais do partido.

Valdemar Costa Neto afirmou que Wellington Fagundes é o candidato do PL.
Flávio Bolsonaro, durante visita a Mato Grosso, reafirmou o apoio ao senador.
Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara dos Deputados, declarou que não existe qualquer recuo na candidatura.
Ananias Filho, presidente estadual do partido, também reforçou a unidade da legenda em torno de Wellington.

Quando todas as principais lideranças caminham na mesma direção, surge uma dúvida inevitável: por que insistir em manchetes que apontam exatamente o contrário?

A lógica política

Outro ponto merece reflexão.

As pesquisas divulgadas até aqui colocam Wellington Fagundes entre os principais nomes da disputa e, em diversos levantamentos, aparece liderando ou competitivo nos cenários apresentados.

Se um partido possui um candidato eleitoralmente competitivo, qual seria a lógica política de substituí-lo? Naturalmente, partidos podem rever estratégias, mas decisões dessa magnitude costumam ser acompanhadas de fatos concretos, manifestações oficiais e sinais políticos consistentes — não apenas de especulações.

O papel de Tarcísio

Mesmo que Tarcísio quisesse interferir, querer não é poder. O PL já decidiu.

Há outro aspecto que torna essa narrativa pouco convincente: a matemática da política.

São Paulo é, de longe, o maior colégio eleitoral do Brasil, com cerca de 33,5 milhões de eleitores. Mato Grosso possui aproximadamente 2,6 milhões. Em outras palavras, São Paulo tem cerca de 13 vezes mais eleitores do que Mato Grosso.

Isso significa que, para Tarcísio de Freitas, cada decisão política precisa ser medida pelo impacto que produz em seu principal objetivo: manter sua liderança em São Paulo e preservar a ampla aliança que sustenta seu projeto político.

As pesquisas mais recentes mostram Tarcísio liderando a disputa pelo Governo de São Paulo, mas essa liderança é construída justamente sobre uma coalizão robusta, na qual o PL exerce papel estratégico. Romper, desgastar ou contrariar o partido em benefício de uma disputa estadual em Mato Grosso significaria assumir um risco político elevado sem um benefício proporcional.

Além disso, será que Tarcísio tem tempo de se preocupar com Mato Grosso, quando precisa do apoio do PL em São Paulo para sua própria sobrevivência política? Nacionalmente, o que pesa mais para o Republicanos: São Paulo ou Mato Grosso? A resposta parece óbvia.

É justamente aí que surge outra pergunta: o que Tarcísio ganharia comprando uma briga com as principais lideranças nacionais do PL para interferir em um estado que representa menos de 8% do eleitorado paulista? A lógica política aponta exatamente para o contrário: preservar a aliança nacional, e não criar conflitos desnecessários.

Na política, tempo é capital e capital político não se desperdiça. Para quem governa um estado com mais de 33 milhões de eleitores, faz pouco sentido gastar energia provocando uma crise interna em outro estado com cerca de 2,6 milhões de votantes, especialmente quando essa crise envolveria um dos principais aliados nacionais de seu projeto político.

Jornalismo ou reprodução de narrativas?

O papel do jornalismo nunca foi reproduzir boatos. Sempre foi verificar.

Ouvir os envolvidos.

Confrontar versões.

Apresentar evidências.

Quando isso deixa de acontecer, abre-se espaço para interpretações, interesses políticos e narrativas que podem ganhar aparência de notícia sem possuir os elementos mínimos de comprovação.

Por isso, a discussão talvez nem seja se houve demência, maldade ou burrice.

Talvez o problema seja outro: a substituição da apuração pela especulação.

E isso nunca fez bem ao jornalismo.

Conclusão

Até este momento, o que existe de concreto são declarações públicas das lideranças nacionais do PL reafirmando Wellington Fagundes como candidato.

Também existem pesquisas que o colocam em posição competitiva na disputa.

Do outro lado, permanecem especulações sobre uma suposta articulação cuja comprovação pública ainda não apareceu.

No fim, permanece a pergunta que deveria ter sido feita antes da publicação das manchetes:

Onde estão os fatos?

Porque, sem fatos, notícia deixa de ser informação e passa a ser apenas uma narrativa.




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