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Cuiabá,25/07/2026

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Se Pivetta nunca quis o PL, por que Mato Grosso entrou na negociação?

O governador diz que Mato Grosso nunca deveria ter participado da negociação nacional. Mas por que essa versão só apareceu depois que o PL confirmou seu candidato?


Se Pivetta nunca quis o PL, por que Mato Grosso entrou na negociação?

Depois da convenção do PL, Pivetta mudou a narrativa. Os fatos mudaram?


POR ANTONIO ROSA RODRIGUES - JORNALISTA, ANALISTA E CRÍTICO POLITICO


O governador diz que tirou Mato Grosso da negociação nacional. A
cronologia, porém, levanta perguntas que continuam sem resposta.

Na política
existe uma regra que o tempo nunca desmente: os fatos acontecem primeiro; as
versões aparecem depois.

É
exatamente por isso que a recente declaração do governador Otaviano Pivetta
merece uma análise cuidadosa.

Segundo
ele, há cerca de quinze dias telefonou ao presidente nacional do Republicanos
para dizer que Mato Grosso não precisava mais fazer parte das negociações
nacionais envolvendo o PL. Disse que não havia necessidade de gastar energia
com isso porque "aqui nós resolvemos nossos problemas".

A
declaração parece simples.

Mas, quando
confrontada com a sequência dos acontecimentos, deixa muito mais perguntas do
que respostas.

Durante
semanas, Mato Grosso esteve no centro das articulações políticas nacionais.

Diversos
veículos de comunicação noticiaram que dirigentes do Republicanos buscavam uma
composição com o PL. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, apareceu
como um dos interlocutores dessas conversas. O objetivo era construir um único
projeto para a direita em Mato Grosso.

Do outro
lado, Wellington Fagundes manteve sua pré-candidatura, percorreu o Estado,
reuniu lideranças, consolidou apoios e chegou à convenção do PL.

O resultado
todos conhecem.

O PL
confirmou Wellington Fagundes como candidato ao Governo de Mato Grosso.

A
negociação terminou.

E foi
somente depois desse desfecho que surgiu a declaração de que Mato Grosso nunca
deveria ter participado daquela negociação.

A primeira
pergunta é inevitável.

Se Mato
Grosso realmente nunca deveria fazer parte dessa negociação, por que essa
posição só apareceu depois que Wellington Fagundes foi homologado candidato?

Por que
esse discurso não veio antes?

Por que não
foi defendido quando as negociações estavam em andamento?

Se Pivetta
tinha autoridade política para telefonar e dizer "não negociem mais Mato
Grosso", também tinha autoridade para fazer esse telefonema semanas antes.

Por que não
fez?

Mas existe
uma pergunta ainda maior.

Na mesma
entrevista, Pivetta afirma que não participava das negociações nacionais porque
essa responsabilidade era da direção do Republicanos.

Logo
depois, afirma que telefonou para retirar Mato Grosso da negociação.

As duas
versões convivem naturalmente?

Quem não
participa de uma negociação consegue encerrá-la?

Ou quem
consegue encerrá-la necessariamente sabia exatamente o que estava sendo
negociado?

São
perguntas que não surgem da oposição.

Surgem das
próprias declarações do governador.

Entretanto,
há uma dúvida que talvez seja a mais importante de todas.

Se Pivetta
realmente não participava dessas articulações, quem colocou Mato Grosso nessa
negociação?

Quem tomou
a decisão de transformar Mato Grosso em parte de uma negociação nacional entre
Republicanos e PL?

Quem
autorizou isso?

Porque
negociações dessa dimensão não surgem por acaso.

Elas
possuem objetivos políticos muito claros.

Há outro
detalhe que chama atenção.

Tarcísio de
Freitas governa São Paulo, o maior estado da Federação, com o maior colégio
eleitoral do país e responsabilidades nacionais muito maiores do que uma
disputa estadual em Mato Grosso.

Então surge
uma pergunta simples.

Por que um
governador do peso político de Tarcísio colocaria seu capital político em uma
negociação envolvendo Mato Grosso se não existisse interesse concreto ou uma
solicitação daqueles diretamente beneficiados pelo resultado?

Qual seria
a motivação?

Quem pediu
esse esforço político?

Quem levou
Mato Grosso para essa mesa?

Porque é
difícil imaginar que uma liderança nacional, envolvida em negociações
presidenciais e partidárias, resolvesse espontaneamente investir tempo e
prestígio político em uma disputa estadual sem que houvesse uma demanda
política concreta.

Até hoje
essa resposta não apareceu.

Outro ponto
merece atenção.

Quando
Pivetta afirma que telefonou há cerca de quinze dias para retirar Mato Grosso
da negociação, a pergunta inevitável é:

Por que
exatamente naquele momento?

Foi uma
mudança de convicção?

Ou foi o
reconhecimento de que a estratégia política já não tinha mais condições de
prosperar?

Porque a
cronologia é curiosa.

Primeiro
veio o PRD.

O partido
seguiu outro caminho.

Depois veio
o PL.

Mesmo
diante das articulações nacionais, confirmou Wellington Fagundes como
candidato.

Duas
derrotas políticas importantes nas articulações partidárias.

Coincidência
ou não, é justamente depois dessas duas derrotas que surge a narrativa de que
Mato Grosso jamais deveria ter participado daquela negociação.

Mas o
cenário político ainda reserva outro capítulo importante.

O União
Brasil realizará sua convenção para decidir se homologará ou não a candidatura
de Jayme Campos ao Governo de Mato Grosso.

Independentemente
do resultado, uma realidade política dificilmente será alterada.

Se a
candidatura de Jayme Campos for homologada, o partido que hoje dá sustentação
ao projeto político de Otaviano Pivetta passará a ter um candidato próprio ao
Governo do Estado, alterando significativamente a dinâmica da disputa
eleitoral.

Mas, mesmo
que a candidatura de Jayme não seja homologada, isso não significa
automaticamente que todo o União Brasil caminhará unido ao lado de Pivetta.

Jayme
Campos e Julio Campos construíram, ao longo de décadas, um grupo político
próprio, formado por prefeitos, deputados, vereadores e lideranças municipais
que possuem identidade política consolidada.

Por isso, o
resultado da convenção poderá definir a posição formal do União Brasil, mas
não necessariamente o comportamento político de todas as suas lideranças
durante a campanha
.

Em outras
palavras, a convenção poderá encerrar uma discussão partidária, mas
dificilmente encerrará todas as divergências políticas existentes dentro da
legenda.

Isso
significa que, qualquer que seja a decisão tomada pelo União Brasil, o desafio
de Otaviano Pivetta continuará sendo transformar uma eventual posição
institucional do partido em apoio político efetivo de todas as suas lideranças.

Enquanto
isso, MDB e Podemos permanecem como peças importantes na construção das
alianças eleitorais.

O cenário
político ainda está aberto.

Mas uma
coisa já está definida.

O discurso
do governador surgiu somente depois que a principal negociação envolvendo o PL
chegou ao fim.

Talvez tudo
isso seja apenas coincidência.

Talvez não.

O fato é
que a política também é feita de tempo.

E o tempo
das declarações costuma dizer tanto quanto as próprias palavras.

Se essa
sempre foi a convicção de Otaviano Pivetta, por que ela só se tornou pública
depois que Wellington Fagundes foi confirmado candidato?

Se era
contra qualquer interferência nacional em Mato Grosso, por que permaneceu em
silêncio enquanto essa interferência era amplamente discutida?

Se
realmente não participou das negociações, quem colocou Mato Grosso nessa mesa?

E, se tinha
autoridade para retirar o Estado da negociação, por que não exerceu essa
autoridade antes?

Há uma
questão que talvez sintetize todas as demais.

Durante
semanas, discutiu-se nacionalmente o futuro político de Mato Grosso.

Houve
interlocutores.

Houve
reuniões.

Houve
articulações.

Houve
notícias diárias sobre uma possível composição entre Republicanos e PL.

Nada disso
aconteceu no vazio.

Alguém
decidiu que Mato Grosso deveria fazer parte daquela negociação.

Alguém
considerou que esse era um tema relevante o suficiente para mobilizar
lideranças nacionais.

Se Otaviano
Pivetta afirma que não conduzia essas negociações, permanece uma pergunta
objetiva:

Quem levou
Mato Grosso para aquela mesa?

E mais.

Se um
governador do porte de Tarcísio de Freitas realmente participou desse processo
político, qual foi a razão?

Governadores
de estados como São Paulo normalmente concentram seus esforços em temas de
interesse nacional ou em articulações consideradas estratégicas para seus
partidos.

É legítimo
perguntar o que justificava dedicar tempo e capital político a uma negociação
específica envolvendo Mato Grosso.

Essa
motivação partiu exclusivamente da direção nacional dos partidos?

Ou decorreu
de demandas apresentadas por lideranças diretamente interessadas no resultado
daquela negociação?

Até hoje,
essa explicação não foi apresentada de forma clara.

E talvez
seja justamente essa ausência de respostas que mantenha o debate vivo.

Porque a
política não é construída apenas pelas decisões que dão certo.

Também é
construída pelas estratégias que fracassam, pelas versões que surgem depois dos
acontecimentos e pelas explicações apresentadas quando o cenário político já
mudou.

Ao longo
dos últimos meses, Mato Grosso assistiu a uma intensa movimentação partidária.

O PRD
seguiu outro caminho.

O PL
manteve candidatura própria.

O União
Brasil vive um momento decisivo.

MDB e
Podemos continuam sendo observados como peças importantes para a composição
eleitoral.

Nada disso
permite concluir antecipadamente como terminará a disputa.

Mas permite
uma conclusão.

A política
de 2026 continua sendo escrita a cada novo movimento.

E é
justamente por isso que a cronologia importa tanto.

Porque ela
registra não apenas o que foi dito.

Registra
quando foi dito.

Versões
podem mudar.

Estratégias
podem ser revistas.

Discursos
podem ser reformulados.

Mas a
sequência dos acontecimentos permanece registrada.

Talvez
Otaviano Pivetta tenha respostas para todas essas perguntas.

Talvez as
apresente nos próximos dias.

Até lá,
permanece um fato incontestável: a declaração de que Mato Grosso não deveria
participar da negociação nacional só se tornou pública depois que Wellington
Fagundes foi confirmado candidato pelo PL.

Essa é a
cronologia.

E, na
política, muitas vezes é a cronologia — mais do que os discursos — que ajuda o
eleitor a compreender o significado de cada movimento.











































































































































































































































 




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