Pivetta acumula derrotas e tenta vender fracasso como independência
De aliado forte na eleição passada à fragilidade atual: após perder PRD, PL e enfrentar resistência no União Brasil, Pivetta vê MDB e Podemos abrirem conversas com outros candidatos e corre o risco de ficar isolado apenas com o Republicanos.
Pivetta
joga a toalha e, após convenção do PL, pede para Tarcísio encerrar negociações
em Mato Grosso.
O governador de Mato Grosso, Otaviano
Pivetta (Republicanos), vive uma sequência de derrotas políticas que expõem
fragilidade em seu projeto de poder. Depois da convenção do PL que confirmou Wellington
Fagundes como candidato ao governo estadual, Pivetta anunciou que teria
pedido ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, para encerrar as
negociações nacionais envolvendo o estado. A declaração tardia, feita apenas
após o fracasso das articulações, reforça a percepção de que o governador tenta
transformar derrotas em narrativa de autonomia.
O primeiro revés veio com o PRD. O
partido, que era visto como peça estratégica para o grupo governista, acabou
seguindo outro caminho. A destituição de Mauro Carvalho, aliado próximo
e integrante do governo, da presidência estadual pela direção nacional, foi um
golpe duro. Sem o controle da sigla, Pivetta e Mauro Mendes reagiram atacando
lideranças e adversários, acusando-os de terem “tomado” o partido. O episódio
deixou claro que o governador perdeu espaço e não conseguiu manter unidade
dentro da própria base.
Na sequência, veio o PL. Durante
semanas, Mato Grosso esteve no centro das articulações nacionais entre
Republicanos e PL, com Tarcísio de Freitas atuando como interlocutor. O
objetivo era construir um projeto único para a direita no estado. Mas
Wellington Fagundes manteve sua pré-candidatura, percorreu o estado, consolidou
apoios e foi homologado candidato na convenção. Somente depois desse resultado,
Pivetta declarou que havia “liberado” Tarcísio de Mato Grosso, tentando
transformar a derrota em gesto de independência. A cronologia, porém, mostra
que o estado esteve na mesa de negociações e que o governador só falou depois
que perdeu.
Agora, Pivetta enfrenta o União Brasil,
comandado pelo grupo dos Campos. O partido marcou convenção para o dia 30 e,
independentemente do resultado, o governador sai perdendo.
- Se Jayme Campos for homologado candidato, o União terá
candidatura própria contra Pivetta. - Se não for, o grupo político dos Campos — consolidado há décadas,
com prefeitos, deputados e vereadores fiéis — dificilmente marchará unido
com o governador.
Ou seja, Pivetta perde o partido por inteiro
ou perde parte significativa de suas lideranças. Em ambos os cenários, o União
Brasil não se apresenta como aliado sólido.
Além disso, MDB e Podemos,
partidos que compõem a base do governo, já abriram conversas com outros
candidatos ao governo. O movimento indica que a união da base está em risco. Se
partidos da própria sustentação buscam alternativas, significa que o projeto de
Pivetta corre o risco de perder ainda mais apoio, enfraquecendo seu palanque e
ampliando o isolamento político.
Na eleição passada, PRD, PL, MDB, Podemos,
Republicanos e União Brasil estiveram juntos para consolidar a vitória de Mauro
Mendes. Agora, o cenário é outro:
- O governo já perdeu o PRD.
- Perdeu o PL.
- Está prestes a perder o União Brasil, seja na totalidade ou
em parte. - Está na eminência de perder MDB e Podemos, que
abriram conversas com outros grupos.
Se isso se confirmar, restará apenas o Republicanos
ao lado de Pivetta. A fragmentação dos partidos que antes sustentaram Mauro
Mendes significa derrota direta para o grupo governista, que não consegue
repetir a unidade de 2022 e vê sua base se desfazer em 2026.
A cronologia revela incoerência: Pivetta
afirma que não participava das negociações nacionais, mas diz que telefonou
para encerrá-las. Se tinha autoridade para retirar Mato Grosso da mesa, por que
não exerceu essa autoridade antes? Por que só falou depois da derrota no PL? A
narrativa de que “Mato Grosso não precisava das negociações nacionais” surge
apenas quando a estratégia já havia fracassado.
- Fragilidade:
Pivetta aparece como um governador que reage às derrotas em vez de
antecipá-las. - Isolamento: A
perda do PRD e do PL, somada à divisão no União Brasil e ao risco de
perder MDB e Podemos, deixa seu projeto cada vez mais isolado. - Narrativa tardia: O
discurso de autonomia não apaga a cronologia das derrotas.
Pivetta joga a toalha, mas não esconde as
marcas das derrotas. A política é feita de fatos e de tempo — e o tempo mostra
um governador que só fala depois, nunca antes.





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