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Cuiabá,26/07/2026

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Otaviano Pivetta e o paradoxo da reeleição: quem governa há oito anos ainda precisa convencer o eleitor?

Otaviano Pivetta e o paradoxo da reeleição: quem governa há oito anos ainda precisa convencer o eleitor?


Otaviano Pivetta e o paradoxo da reeleição: quem governa há oito anos ainda precisa convencer o eleitor?

Quando o governo precisa convencer que é o melhor, talvez o problema não seja a oposição.

O maior adversário da continuidade pode não estar nos palanques. Pode estar no próprio desgaste de quem governa.


Existe uma lógica que acompanha todas as democracias.

Quem governa bem entra em uma eleição com a vantagem que nenhum marqueteiro consegue fabricar: o reconhecimento espontâneo da população.

Quem entrega resultados consistentes não precisa convencer que trabalhou. As obras, as políticas públicas e a aprovação popular fazem esse trabalho.

Por isso, a eleição de 2026 em Mato Grosso revela uma contradição que merece reflexão.

Depois de quase oito anos no comando do Estado, o grupo político que governa Mato Grosso chega à disputa sem conseguir liderar o debate eleitoral. Ao contrário, ao longo da pré-campanha, diferentes pesquisas colocaram Wellington Fagundes na liderança, enquanto o candidato governista apareceu atrás e, em alguns levantamentos, ocupando até a terceira posição.

Isso produz uma pergunta inevitável.

Se o governo considera que realizou uma gestão histórica, por que ainda precisa convencer o eleitor de que merece permanecer no poder?

Se a resposta estivesse nas entregas, talvez as pesquisas já refletissem naturalmente esse reconhecimento.

Mas os movimentos políticos dos últimos meses mostram outra realidade.

Foi montada uma ampla estrutura de campanha, com coordenadores políticos, articuladores regionais, especialistas em marketing, equipe jurídica e operadores encarregados de construir alianças e ampliar apoios.

Nada disso é ilegal. Faz parte da política.

O que chama atenção é o tamanho do esforço necessário para manter um grupo que já ocupa o poder há tantos anos.

Outro episódio reforçou essa percepção.

Reportagens publicadas durante a pré-campanha noticiaram que dirigentes do Republicanos, partido de Otaviano Pivetta, defenderam um entendimento nacional que incluiria a retirada da candidatura de Wellington Fagundes em Mato Grosso como parte de um acordo político mais amplo. O PL rejeitou essa possibilidade e manteve Wellington como candidato ao governo.

Independentemente das justificativas apresentadas por cada partido, o episódio transmite uma mensagem política relevante.

Quando um governo busca construir um cenário com menos adversários competitivos, inevitavelmente surge uma dúvida legítima: se a gestão é tão forte quanto afirma, por que a principal estratégia não seria enfrentar todos os concorrentes nas urnas?

Governos seguros de sua aprovação normalmente procuram ampliar o debate, apresentar resultados e disputar votos.

Governos que ainda precisam conquistar a confiança do eleitor acabam investindo grande parte de sua energia em articulações políticas para tornar o caminho eleitoral menos difícil.

A política ensina que alianças são importantes.

Mas ensina também que alianças não substituem aprovação popular.

No fim, nenhum coordenador de campanha vota por milhões de mato-grossenses.

Nenhum marqueteiro consegue fabricar a confiança que deveria ter sido construída ao longo de um mandato.

Nenhuma articulação política elimina a pergunta que acompanhará o candidato da situação até outubro:

Se depois de quase oito anos governando ainda é necessário convencer o eleitor de que a continuidade é a melhor escolha, será que o maior desafio está na oposição ou na dificuldade de transformar o legado do governo em liderança nas urnas?

Porque existe uma diferença fundamental entre disputar o poder e tentar mantê-lo.

Quem está na oposição pede uma oportunidade.

Quem já governa precisa apresentar uma justificativa convincente para continuar.

E essa justificativa, em uma democracia, começa pelas urnas — não pelos bastidores.




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