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Cuiabá,30/06/2026

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Antes dos trilhos, vieram os homens que acreditaram

Cinco décadas após a Lei Federal nº 6.346/76, a história revela o papel de Domingos Iglesias, Vicente Vuolo, Francisco Vuolo, Wellington Fagundes, da Assembleia Legislativa e de outras lideranças na construção da ferrovia.


Antes dos trilhos, vieram os homens que acreditaram

Os verdadeiros construtores da Ferrovia Senador Vicente Emílio Vuolo

Grandes obras não começam quando as máquinas chegam. Começam quando
alguém tem coragem de defender uma ideia que quase todos consideram impossível.


ANÁLISE DA HISTÓRIA


POR ANTONIO ROSA RODRIGUES - JORNALISTA, CRITICO E ANALISTA POLITICO 


A história costuma ser generosa com quem
inaugura obras.

Mas quase nunca faz justiça àqueles que
passaram décadas defendendo projetos quando eles ainda eram tratados como
utopia.

A Ferrovia Senador Vicente Emílio Vuolo talvez
seja o maior exemplo dessa realidade em Mato Grosso.

Hoje ela representa a maior obra ferroviária
em execução no Brasil. É motivo de discursos, solenidades e comemorações.
Governos a apresentam como símbolo do desenvolvimento. Lideranças políticas
celebram seus impactos econômicos.

Mas a história dessa ferrovia não começou
agora.

Ela começou muito antes das máquinas, dos
trilhos e dos bilhões de reais em investimentos.

Começou com um engenheiro.

O homem que desenhou o impossível

O engenheiro Domingos Iglesias Valério
foi o primeiro a enxergar, sob a ótica técnica, que Mato Grosso precisava ser
integrado ao restante do país por uma ferrovia.

Na época, essa ideia parecia distante da
realidade.

O Estado ainda possuía uma infraestrutura
precária, grandes dificuldades logísticas e pouca influência nas decisões
nacionais.

Mesmo assim, Domingos Iglesias elaborou
estudos, defendeu o projeto e apresentou essa visão ao então deputado federal Vicente
Emílio Vuolo
.

Sem Domingos Iglesias, talvez nunca tivesse
existido uma proposta concreta.

Ele foi o idealizador técnico.

Foi quem desenhou o caminho.

O homem que
transformou um sonho em lei

Mas grandes ideias precisam encontrar quem
tenha coragem de defendê-las politicamente.

Foi exatamente esse o papel desempenhado por Vicente
Emílio Vuolo
.

Ao assumir aquela proposta como sua bandeira,
Vuolo enfrentou resistências dentro de Brasília, rompeu barreiras políticas e
conseguiu aprovar a Lei Federal nº 6.346, de 1976.

Na prática, ele transformou uma ideia de
engenharia em política pública.

Não por acaso, décadas depois, a ferrovia
passou a levar oficialmente seu nome.

Foi o idealizador político.

Sem Vuolo, o projeto dificilmente teria
ultrapassado o campo das boas intenções.

A luta que
continuou quando todos acreditavam que havia acabado

A aprovação da lei, entretanto, não significou
a construção da ferrovia.

Durante décadas, os trilhos permaneceram
apenas no papel.

Governos mudaram.

Prioridades mudaram.

Recursos desapareceram.

Muitos desistiram.

Foi nesse período que surgiu uma nova geração
de defensores da causa.

À frente dela estava Francisco Vuolo,
que fundou o Fórum Pró-Ferrovia em 2004.

O Fórum reuniu entidades empresariais,
engenheiros, produtores rurais, universidades, conselhos profissionais e
lideranças políticas em torno de um único objetivo: impedir que o projeto fosse
esquecido.

Enquanto muitos consideravam impossível a
chegada dos trilhos a Cuiabá, o Fórum manteve reuniões, promoveu debates,
produziu estudos técnicos, mobilizou prefeitos, empresários e parlamentares,
tornando-se o principal guardião do legado de Vicente Vuolo e Domingos
Iglesias.

Durante mais de vinte anos, quando poucos
acreditavam que a ferrovia sairia do papel, o Fórum jamais abandonou essa
causa.

A história demonstra que projetos dessa
dimensão não sobrevivem apenas por força da lei.

Eles sobrevivem porque alguém decide não
abandonar o sonho.

A
articulação política nacional

Outro personagem indispensável nessa
trajetória é o senador Wellington Fagundes.

Enquanto o Fórum mobilizava a sociedade
mato-grossense, Wellington assumiu a articulação política em Brasília.

Levou a pauta aos ministérios, participou das
negociações com o Governo Federal, dialogou com concessionárias, buscou apoio
institucional e manteve a ferrovia permanentemente inserida na agenda nacional
da infraestrutura.

Sua atuação ajudou a impedir que Mato Grosso
fosse novamente esquecido no planejamento ferroviário brasileiro.

O
governo e o Parlamento que viabilizaram a obra

Se Domingos Iglesias idealizou tecnicamente a
ferrovia, Vicente Vuolo a transformou em lei e Francisco Vuolo manteve essa
bandeira viva durante décadas, coube ao Governo de Mato Grosso e à Assembleia
Legislativa
dar um importante passo para que esse projeto começasse a se
tornar realidade.

Durante a gestão do governador Mauro Mendes,
o Executivo encaminhou à Assembleia o projeto que criou o novo marco legal do
sistema ferroviário estadual. Com sua aprovação pelos deputados estaduais, Mato
Grosso passou a contar com um modelo jurídico que permitiu a implantação de
ferrovias por autorização do Estado, abrindo caminho para o início da
construção da Ferrovia Estadual Senador Vicente Emílio Vuolo.

O mérito desse momento pertence ao Governo do
Estado, que apresentou a proposta, e à Assembleia Legislativa, que compreendeu
sua importância e aprovou o marco legal que viabilizou a execução da obra.
Assim como nas etapas anteriores dessa história, esse também foi um capítulo
decisivo na construção de um projeto sonhado por gerações de mato-grossenses.

A defesa
permanente na Assembleia Legislativa

Dentro da Assembleia Legislativa, o deputado Carlos
Avallone
tornou-se um dos principais defensores contemporâneos da ferrovia.

Sua atuação não começou na sessão comemorativa
dos cinquenta anos.

Desde 2019 promove audiências públicas,
acompanha o andamento do empreendimento, participa das discussões sobre
licenciamento ambiental, integra comissões especiais de acompanhamento e cobra
o cumprimento dos compromissos assumidos para que os trilhos cheguem
efetivamente a Cuiabá.

Sua atuação representa a continuidade
institucional da defesa da ferrovia dentro do Parlamento Estadual.

O
reconhecimento institucional

Já o presidente da Assembleia Legislativa, Max
Russi
, exerce um papel igualmente importante, embora diferente.

Não foi um dos idealizadores históricos nem
participou das primeiras mobilizações da causa.

Sua contribuição está no reconhecimento
institucional dessa trajetória.

Ao realizar a Sessão Especial em comemoração
aos cinquenta anos da Lei Federal nº 6.346/76, a Assembleia Legislativa presta
uma homenagem não apenas à ferrovia, mas às pessoas que dedicaram décadas de
suas vidas para que esse sonho permanecesse vivo.

Mais do que uma solenidade, trata-se do
reconhecimento oficial de uma luta que atravessou gerações.

O Parlamento cumpre, assim, um dever
histórico: preservar a memória daqueles que ajudaram a construir o
desenvolvimento de Mato Grosso.

Uma
história construída por gerações

Talvez o maior erro seja tentar encontrar um
único "pai" da ferrovia.

A verdade histórica é muito mais rica.

A Ferrovia Senador Vicente Emílio Vuolo não
nasceu de um único homem, de um único governo ou de um único mandato.

Ela nasceu da soma de diferentes lideranças,
em momentos distintos da história.

Domingos Iglesias Valério imaginou
aquilo que parecia impossível.

Vicente Emílio Vuolo
transformou a ideia em lei federal.

Francisco Vuolo recusou-se
a deixar o sonho morrer e liderou, por meio do Fórum Pró-Ferrovia, uma
mobilização permanente da sociedade civil.

Wellington Fagundes levou essa
luta para Brasília e manteve o projeto vivo nas decisões nacionais.

Mauro Mendes, como governador, criou o
marco jurídico estadual que permitiu transformar um sonho de quase cinquenta
anos em uma obra concreta.

Carlos Avallone fortaleceu
a defesa institucional da ferrovia dentro da Assembleia Legislativa,
acompanhando sua implantação e cobrando sua continuidade.

Max Russi, na presidência da
Assembleia, promove o reconhecimento institucional dessa trajetória ao celebrar
os cinquenta anos da lei que deu origem ao projeto.

Cada um escreveu um capítulo.

Nenhum deles, sozinho, construiu essa
história.

A maior
homenagem

Os trilhos que hoje avançam sobre Mato Grosso
não pertencem a um governo.

Não pertencem a um partido.

Não pertencem a uma única liderança.

Eles pertencem à persistência daqueles que
ousaram acreditar quando praticamente ninguém acreditava.

Celebrar os cinquenta anos da Lei Federal nº
6.346 é muito mais do que recordar uma data.

É reconhecer que o desenvolvimento não
acontece por acaso.

Ele nasce da coragem dos visionários, da
perseverança dos que não desistem, da responsabilidade dos governantes que
tomam decisões e da atuação das instituições que preservam a memória.

No próximo 3 de julho, a Assembleia
Legislativa de Mato Grosso realizará uma Sessão Especial Conjunta em
comemoração aos 50 anos da sanção da Lei Federal nº 6.346/1976, proposta
pelo senador Vicente Emílio Vuolo. A iniciativa, conduzida pelo
presidente da Assembleia, Max Russi, pelo deputado Carlos Avallone,
pelo senador Wellington Fagundes e pelo Fórum Pró-Ferrovia,
representa muito mais do que uma solenidade oficial.

Será um momento para reconhecer que a Ferrovia
Senador Vicente Emílio Vuolo não nasceu de um único governo, de um único
mandato ou de uma única liderança. Ela foi construída por diferentes gerações,
que, em momentos distintos da história, decidiram carregar a mesma bandeira.

Ao reunir aqueles que continuam defendendo
essa causa, a Sessão Especial presta homenagem não apenas à Lei nº 6.346, mas
também à memória de Domingos Iglesias Valério, que concebeu tecnicamente
o projeto; de Vicente Emílio Vuolo, que transformou a ideia em lei
federal; de Francisco Vuolo, que manteve viva a mobilização por décadas;
de Wellington Fagundes, que levou essa luta para Brasília; de Mauro
Mendes
, que, como governador, criou o marco jurídico que permitiu o início
da execução da obra; de Carlos Avallone, que fortaleceu a defesa da
ferrovia no Parlamento Estadual; e de Max Russi, que, na presidência da
Assembleia Legislativa, promove o reconhecimento institucional dessa trajetória
histórica.

Quando o primeiro trem chegar a Cuiabá, ele
não estará apenas transportando cargas.

Estará carregando quase meio século de sonhos,
lutas, persistência e compromisso com Mato Grosso.

E talvez essa seja a maior lição deixada pela
Ferrovia Senador Vicente Emílio Vuolo.

As grandes obras não são construídas apenas
com concreto, aço e trilhos.

Elas são construídas por pessoas que, em
diferentes épocas, tiveram coragem de sonhar, perseverar, decidir e agir.

A Sessão Especial do dia 3 de julho será,
acima de tudo, um ato de justiça com essa história e com todos aqueles que
fizeram dela uma realidade.























































































































































































 




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