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Cuiabá,02/07/2026

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O sobrenome abre portas. Quem conquista votos é o candidato.

Enquanto constrói uma agenda própria pelo interior de Mato Grosso, Jéssica Riva mostra que um sobrenome pode abrir caminhos, mas só o trabalho, as ideias e a presença junto ao eleitor transformam legado em representação política.


O sobrenome abre portas. Quem conquista votos é o candidato.

Na
política, o sobrenome abre portas. Quem conquista votos é o candidato.


ARTIGO 

Por Antonio Rosa Rodrigues
Jornalista, Analista e Critico Politico 
Ex. Vereador 


Na política, existem dois caminhos fáceis para
quem nasce em uma família tradicional.

O primeiro é viver eternamente à sombra de
quem construiu a história.

O segundo é acreditar que um sobrenome basta
para conquistar votos.

Jéssica Riva parece ter escolhido um terceiro
caminho: o mais difícil.

Em vez de transformar a irmã, a deputada
estadual Janaina Riva, em sua principal vitrine eleitoral, tem buscado
construir uma caminhada própria. Enquanto Janaina concentra suas energias em um
projeto majoritário rumo ao Senado, Jéssica percorre Mato Grosso apresentando
seu nome, conhecendo lideranças, ouvindo a população e construindo relações
políticas sem depender exclusivamente da força política da irmã.

Essa talvez seja a decisão mais inteligente de
sua pré-candidatura.

Porque o eleitor pode até respeitar uma
família política, mas não transfere confiança automaticamente. Confiança
precisa ser construída. Voto precisa ser conquistado.

É exatamente isso que Jéssica parece ter
compreendido.

Suas agendas pelo interior revelam uma
candidata que prefere conversar a simplesmente aparecer, ouvir antes de
prometer e construir pontes antes de pedir apoio. Não se trata apenas de
visitar municípios. Trata-se de entender que Mato Grosso continua sendo um
Estado onde a política nasce nas cidades, nas comunidades, nas associações, nas
câmaras municipais e no contato direto com quem vive os problemas diariamente.

Em suas manifestações públicas, Jéssica tem
defendido temas ligados ao empreendedorismo, ao fortalecimento dos municípios,
à participação feminina, à segurança alimentar e à melhoria dos serviços
públicos. São pautas que dialogam com desafios concretos enfrentados pelos
mato-grossenses e que, se transformadas em atuação parlamentar consistente,
poderão definir a identidade de seu mandato.

Mas existe outro fator que muitos preferem
ignorar.

Nenhuma análise séria sobre essa candidatura
pode desconsiderar a presença de José Riva.

Durante décadas, Riva foi um dos parlamentares
mais influentes da história da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
Independentemente das opiniões que existam sobre sua trajetória política, há um
fato que dificilmente é contestado: poucos deputados conheceram tão
profundamente os 141 municípios mato-grossenses quanto ele.

Sua atuação sempre foi marcada por um perfil
essencialmente municipalista. Participou diretamente do processo de emancipação
e criação de diversos municípios, defendendo a descentralização administrativa
e fortalecendo cidades que, até então, dependiam de estruturas distantes para
atender às necessidades da população. Em uma época de expansão territorial e
crescimento econômico de Mato Grosso, esteve presente em decisões que
redesenharam o mapa administrativo do Estado e ampliaram a autonomia de dezenas
de municípios.

Outro legado frequentemente lembrado por
prefeitos e lideranças municipais ocorreu nos últimos anos de seu mandato,
quando participou das discussões que fortaleceram a destinação de recursos do
FETHAB aos municípios. Naquele período, a maioria das prefeituras enfrentava
enormes dificuldades para manter estradas vicinais. Faltavam recursos para
recuperar pontes, conservar vias rurais e garantir condições mínimas para o
transporte escolar e o escoamento da produção agrícola.

Com a ampliação da participação dos municípios
nos recursos do FETHAB, muitas dessas administrações passaram a contar com uma
fonte permanente de investimentos para infraestrutura rural, permitindo a
recuperação de milhares de quilômetros de estradas que, durante anos,
permaneceram praticamente abandonadas por falta de capacidade financeira dos
municípios.

É justamente esse histórico que ajuda a
explicar por que José Riva continua sendo uma figura respeitada por inúmeras
lideranças municipais. O tempo passou, os mandatos terminaram, mas as relações
construídas ao longo de décadas permanecem vivas em praticamente todas as
regiões de Mato Grosso.

Nos últimos meses, observa-se uma movimentação
discreta, quase silenciosa. Sem grandes eventos, sem discursos inflamados e
distante dos holofotes que marcaram sua carreira política, Riva voltou a
percorrer o interior do Estado. Reencontra antigos companheiros, visita
lideranças que caminharam ao seu lado durante anos e conversa com pessoas que
conheceram de perto sua atuação municipalista.

Não há necessidade de grandes atos públicos.
Na política construída ao longo de uma vida, muitas vezes um aperto de mão vale
mais do que um palanque.

É razoável imaginar que muitos desses antigos
aliados recebam José Riva não apenas por amizade, mas também pelo respeito
construído ao longo de décadas de convivência política. Esse patrimônio de
confiança dificilmente se perde com o tempo.

Naturalmente, essa rede de relacionamentos
representa um ativo importante para a candidatura de Jéssica. Seria ingenuidade
acreditar que um pai com a experiência política de José Riva permaneceria
completamente distante da caminhada da filha. Ao mesmo tempo, também seria um
erro concluir que essa estrutura, por si só, seja suficiente para elegê-la.

Relacionamentos abrem portas.

História cria credibilidade.

Mas votos continuam sendo conquistados pelo
candidato.

E talvez esteja exatamente aí o diferencial de
Jéssica Riva.

Enquanto conta com um dos maiores patrimônios
de relacionamento político já construídos em Mato Grosso, ela demonstra
compreender que nenhuma herança substitui o trabalho diário. Por isso percorre
o Estado, constrói sua própria agenda, apresenta suas ideias e busca consolidar
uma identidade política que vá além da condição de filha de José Riva e irmã de
Janaina Riva.

No fim, o maior desafio de Jéssica talvez não
seja carregar um sobrenome conhecido.

Será fazer com que, daqui a alguns anos, esse
sobrenome deixe de ser sua principal apresentação.
E passe a ser apenas o ponto de partida de uma
história construída por ela mesma.
 
































































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