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Cuiabá,07/07/2026

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O Governo do Fazimento ou o Governo das Promessas? A cobrança pelas emendas expõe a maior contradição de Pivetta

Enquanto anuncia obras, programas e novos compromissos, o governo enfrenta cobranças pelo atraso nas emendas parlamentares impositivas. A pergunta é inevitável: como prometer mais se obrigações previstas em lei ainda aguardam cumprimento?


O Governo do Fazimento ou o Governo das Promessas? A cobrança pelas emendas expõe a maior contradição de Pivetta

Como governar Mato Grosso se o próprio governo não consegue cumprir o que a Constituição determina?

Por Antonio Rosa Rodrigues - Jornalista, Analista e Crítico Politico

Otaviano Pivetta quer convencer os mato-grossenses de que está preparado para governar o Estado. Mas uma pergunta parece inevitável: como pedir um voto de confiança para administrar um orçamento bilionário se o governo enfrenta críticas pelo atraso na execução de emendas parlamentares que têm caráter impositivo?

As emendas impositivas não são um favor do governador aos deputados. Elas são um instrumento previsto na legislação para garantir investimentos em saúde, educação, infraestrutura e diversas demandas apresentadas pelos municípios. Ainda assim, parlamentares vêm cobrando publicamente a liberação desses recursos, e o próprio governo reconheceu que passou a priorizar apenas parte das emendas após as investigações envolvendo o tema.

É justamente aí que surge uma contradição política difícil de ignorar. O governo que se apresenta como o "Governo do Fazimento" tem sido questionado por não conseguir executar, no ritmo esperado, nem mesmo emendas parlamentares que possuem execução obrigatória e já estão previstas no orçamento público.

Se há dificuldades para cumprir uma obrigação orçamentária prevista em lei, como convencer a população de que dezenas de novos compromissos anunciados serão efetivamente entregues?

Nos últimos meses, o governo lançou programas, assinou convênios, autorizou ordens de serviço, participou de inaugurações e anunciou novos investimentos em diversas regiões de Mato Grosso. Tudo isso gera expectativa na população. Mas a pergunta permanece: quantos desses anúncios já se transformaram em obras concluídas, serviços efetivamente entregues e benefícios concretos para os cidadãos?

A impressão que fica para muitos observadores é que o "Governo do Fazimento" corre o risco de ser lembrado mais pelo fazimento de anúncios, pelo fazimento de promessas, pelo fazimento de solenidades e pelo fazimento de assinaturas de convênios do que pela execução tempestiva de compromissos já assumidos.

O próprio Pivetta fez duras críticas ao modelo de emendas parlamentares, afirmando que os recursos se pulverizam e não produzem obras estruturantes. Independentemente dessa posição, permanece uma questão essencial: enquanto critica o sistema, o governo é cobrado por deputados estaduais justamente pela demora na liberação de recursos cuja execução é considerada obrigatória.

Em política, discurso e prática precisam caminhar juntos. Um governo conquista credibilidade não apenas pela quantidade de programas que anuncia ou pelas cerimônias que realiza, mas, sobretudo, pela capacidade de cumprir aquilo que já está previsto na lei e prometido à população.

No fim, cabe uma reflexão ao eleitor mato-grossense: antes de assumir novos compromissos para governar Mato Grosso pelos próximos quatro anos, não deveria o governo demonstrar, de forma inequívoca, que consegue cumprir integralmente as obrigações que já assumiu?




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