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Cuiabá,14/07/2026

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Pivetta defendeu o secretário, mas quem defende o BRT?

Ao justificar o silêncio de Marcelo Padeiro e resgatar a história do VLT, o governador em exercício deixou sem resposta as perguntas que motivaram a convocação da Assembleia: por que o BRT continua atrasado e quando a obra será entregue?


Pivetta defendeu o secretário, mas quem defende o BRT?

Ao defender o secretário, Pivetta assumiu o debate que tentou evitar

O governador explicou o silêncio de Marcelo Padeiro, mas deixou sem resposta a principal pergunta da sociedade: quem responde pelos atrasos do BRT?


Por Antonio Rosa Rodrigues – Jornalista, Analista e Crítico Político


A política tem um detalhe curioso.

Às vezes, a tentativa de apagar um incêndio acaba espalhando ainda mais a fumaça.

Foi exatamente isso que aconteceu quando o governador em exercício, Otaviano Pivetta, decidiu sair em defesa do secretário de Infraestrutura, Marcelo de Oliveira, após o abandono da audiência pública na Assembleia Legislativa.

Até então, o debate era simples.

O secretário havia sido convocado para prestar esclarecimentos sobre as obras do BRT, abandonou a audiência e afirmou que existiam coisas que gostaria de dizer, mas preferia permanecer em silêncio.

No dia seguinte, porém, Pivetta mudou completamente o foco da discussão.

Segundo o governador, Marcelo estaria frustrado porque queria dizer que recursos da corrupção do VLT teriam abastecido campanhas eleitorais em 2012.

Ao fazer essa declaração, Pivetta produziu um efeito político inesperado.

Em vez de explicar o BRT, passou a explicar o silêncio do secretário.
Mas quem explica o atraso da obra?
Quem explica o cronograma descumprido?
Quem explica os contratos rescindidos?
Quem explica por que uma obra anunciada como mais rápida e mais eficiente ainda não foi entregue?

Essas perguntas continuam sem resposta.

A defesa do governador chama atenção por outro motivo.

Se, de fato, Marcelo de Oliveira possuía informações tão relevantes, por que elas não foram apresentadas na própria Assembleia Legislativa?

A audiência existia exatamente para isso.

O Parlamento é o espaço institucional onde autoridades públicas prestam esclarecimentos.

Se havia fatos graves, aquele era o local adequado para apresentá-los.

Se não havia, por que transformar a audiência em um palco de insinuações?

Outro aspecto merece reflexão.

Ao justificar a saída do secretário dizendo que ele estava emocionalmente abalado por não poder dizer aquilo que pensava, Pivetta humanizou o episódio.

Mas governar exige mais do que emoções.

Exige responsabilidade institucional.

Quem ocupa um cargo público não responde apenas aos seus sentimentos.

Responde, principalmente, às instituições e à sociedade.

Há ainda uma contradição política difícil de ignorar.

O próprio governo decidiu abandonar o VLT.

Foi o governo Mauro Mendes que afirmou que o BRT seria mais barato, mais rápido e mais eficiente.
Foi o governo Mauro Mendes que apresentou novos cronogramas.
Foi esse mesmo governo que garantiu que Mato Grosso finalmente teria uma solução definitiva para a mobilidade urbana.

Se essa foi a escolha do governo, por que, anos depois, a principal defesa continua sendo comparar o BRT com o fracasso do VLT?

Toda vez que o governo volta a 2012 para responder perguntas sobre 2026, transmite uma impressão preocupante.

A de que ainda procura respostas no retrovisor.

Mas o eleitor olha para frente.

O cidadão que enfrenta congestionamentos diários não pergunta mais por que o VLT fracassou.

Pergunta quando o BRT ficará pronto.

O comerciante que convive há anos com ruas interditadas não quer saber apenas quem errou no passado.

Quer saber quando os transtornos terminarão.

O contribuinte que paga impostos espera algo muito simples.

Resultados.

A defesa feita por Pivetta acabou produzindo um paradoxo.

Quanto mais tentou explicar o comportamento do secretário, menos explicou a obra.

Quanto mais falou do VLT, menos respondeu sobre o BRT.

E quanto mais justificou o silêncio de Marcelo, maior ficou o silêncio do próprio governo sobre aquilo que realmente interessava aos mato-grossenses.

No fim, permanece uma reflexão.

Governos não são eleitos para explicar por que o passado fracassou.

São eleitos para demonstrar por que o presente dará certo.

Até agora, essa continua sendo a principal resposta que Mato Grosso espera ouvir.




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